Alunos na EBI das Capelas, reclamam obras prometidas pelo Governo antes do início do ano letivo
2017-11-03 08:02:00 | Rádio Horizonte Açores

Centenas de alunos da Escola Básica Integrada das Capelas, na ilha de São Miguel, manifestaram-se hoje à porta da escola para reclamar as obras que o Governo Regional dos Açores prometeu fazer naquela escola antes do início do ano letivo.

“Estamos fartos de promessas e eles [governantes] nunca fazem nada, é sempre a mesma coisa. As salas ficam todas molhadas, o ginásio também não tem condições nenhumas para nós fazermos educação física, está sempre tudo molhado, podemos até nos magoar também, é uma vergonha (...) Nós também temos direito, não são só as outras escolas que têm direito”, adiantou à Lusa Erica Costa, aluna do 8.º ano.

Segundo os alunos, o problema “agudizou-se” na semana passada depois de vários dias a chover em que quase sempre foram para as aulas molhados, já que a escola não tem cobertura para se deslocarem entre as salas de aula.

“Não conseguimos ir para as aulas secos, estamos sempre todos molhados, a escola é uma piscina autêntica”, disse a aluna Ana Pimentel, que garante que os alunos “vão manter o protesto até terem condições”.

Também alguns pais marcaram presença no protesto, lembrando que se “aguarda por uma escola nova desde 2007” nas Capelas, costa norte da ilha de São Miguel, e lançam o convite a Vasco Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores, para que visite a escola e veja as condições “com os próprios olhos”.

“O senhor presidente que venha cá acima explicar a esses miúdos porque é que têm de secar a roupa várias vezes no corpo e porque é que têm de ter essas péssimas condições e coabitar com ratazanas e com água, com poços de água, isto é uma piscina náutica aqui quando chove”, disse Paula Leite, mãe de uma aluna naquela escola.

A representante dos pais estende o convite a “outros membros do Governo”.

“Eu gostava de apelar e exigir, se calhar, como nós é que pagamos os salários deles, aos membros do Governo Regional, que venham matricular os filhos aqui, porque os meninos do pessoal do Governo Regional estão nos colégios privados. Mais uma vez o Governo falhou”, acusou Paula Leite.

A falta de condições e de segurança da Escola Básica Integrada das Capelas motivaram no ano letivo 2017/2018 outras manifestações, sendo que o problema é muito anterior a isso, recorda o ex-presidente do conselho executivo da escola até 2014, referindo que “a discriminação nas Capelas continua”.

“Foi-nos prometido uma escola nova em 2007, no ano de 2015 arranjaram uma artimanha para dizer que já não era uma escola nova, mas uma escola remodelada e para uma escola que era urgente fazer uma remodelação já estamos há dois anos à espera, neste cenário que é impensável continuar, tem de haver uma resposta imediata”, afirmou Jorge Pinheiro.

O professor de educação física, que esteve dezasseis anos à frente da direção da EBI das Capelas disse ainda “não compreender” porque é que vão “remodelar uma escola gastando mais de 10 milhões de euros quando uma escola nova custaria 13 ou 14 milhões no máximo”.

O secretário regional da Educação adiantou esta tarde aos jornalistas, numa iniciativa em Vila Franca do Campo, que “a obra da escola das Capelas é a próxima a ser iniciada” sem, no entanto, referir-se a uma data específica.

“Se não houver embaraços, por exemplo, reclamações de concorrentes ou pedidos de esclarecimento do Tribunal de contas, eventualmente na transição de 2017 para 2018”, disse Avelino Meneses.

O governante lembra que o “conselho executivo da Escola das Capelas” tem conhecimento do estado e dos procedimentos que estão em curso, admitindo que “apanharão chuva por muito pouco tempo mais”.

“Neste momento, o júri última o relatório preliminar que será sujeito a uma audiência prévia, será depois convertido em relatório final que permitirá a adjudicação, a assinatura do contrato e o envio para tribunal de contas para obtenção do visto. Essa será a última etapa antes da consignação da obra e do início dos trabalhos”, disse.

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