Pescadores dos Açores dizem que falta de espaço nos entrepostos é situação excecional
2025-08-29 08:02:00 | Lusa
O presidente da Federação das Pescas dos Açores (FPA) considerou que a falta de espaço nos entrepostos frigoríficos da região é uma “situação excecional”, que resulta de uma “excelente safra” do atum.
“É uma situação excecional, porque é um ano excecional no bonito. O ano passado não tivemos esse problema, mas também não tivemos atum bonito. Este ano temos uma quantidade acima da média dos últimos anos, até se calhar da última década”, afirmou Jorge Gonçalves à agência Lusa.
O líder da FPA confirmou que os entrepostos frigoríficos se encontram lotados, mas rejeitou que a falta de armazenamento comprometa a safra do atum.
“A safra não está comprometida. A safra deste ano é uma excelente safra. Começou com o atum patudo com as regras que foram postas no início da temporada e está a ser um ano excelente, muito bom mesmo”, reforçou.
Na quarta-feira, a Lotaçor, que gere as lotas dos Açores, considerou que a falta de espaço nos entrepostos frigoríficos se deve à “safra abundante” e à falta de capacidade de resposta das conserveiras, rejeitando ser a causa do constrangimento.
Jorge Gonçalves reconheceu a dificuldade em encontrar soluções para reforçar o armazenamento, salientando o “esforço significativo” da Lotaçor, que conseguiu aumentar a capacidade em 200 toneladas com alugueres a privados.
“Esta situação é muito boa no sentido da quantidade de peixe que está a aparecer. É pena não termos capacidade para armazenar mais, mas os entrepostos são finitos. Não é possível conseguirmos ter espaço nos Açores para tudo aquilo que poderia ser a safra deste ano”, defendeu.
O presidente da FPA lembrou, também, que as conserveiras compraram diretamente o pescado às embarcações, uma situação que “não tem mal nenhum”, mas que não permitiu escoar o peixe dos entrepostos.
“A experiência diz-nos que ao longo dos anos temos cinco a sete anos maus e cinco a sete anos razoáveis. Mas são muito poucos os anos, em que, sendo razoáveis ou bons, se atingem estas quantidades”, explicou.
Jorge Gonçalves classificou como uma “boa notícia” o facto de os “entrepostos estarem cheios”, realçando que o “atum bonito teve um preço acima da média do que é normal”.
“As pessoas têm sempre tendência a querer capturar mais e mais, mas as infraestruturas do Estado são aquelas que estão disponíveis e são essas que estão esgotadas”, concluiu.
A empresa responsável pelas lotas nos Açores rejeitou responsabilidades pela falta de espaço nos entrepostos frigoríficos e mostra-se disponível para “arranjar uma saída para a situação presente e para situações futuras” em articulação com o setor e o Governo Regional.
Já o secretário regional do Mar e das Pescas dos Açores, Mário Rui Pinho, declinou responsabilidades do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) em encontrar soluções para o armazenamento de todo o atum que tem sido capturado no mar dos Açores.
Na quarta-feira, o PS/Açores defendeu o fretamento de um navio para armazenamento e congelação de pescado, para funcionar como “entreposto flutuante”, face às dificuldades de armazenamento de atum, considerando “inaceitável” a falta de resposta do Governo Regional.