Açores avançam com projeto para promover economia circular na agricultura
2026-03-10 10:34:52 | Lusa

O Governo Regional dos Açores vai avançar este ano com o projeto LIFE IP AGRILOOP, a “maior candidatura de sempre” da tutela a fundos comunitários, que visa promover a economia circular no setor agroflorestal.

“É a maior candidatura que alguma vez esta Secretaria fez à Comissão Europeia. É uma candidatura ambiciosa e que se prolonga no tempo nos próximos oito anos”, afirmou, em declarações à Lusa, o secretário regional da Agricultura e Alimentação dos Açores.

A Comissão Europeia divulgou, segunda-feira, que o projeto LIFE IP AGRILOOP, que promove a economia circular no setor agroflorestal açoriano, vai receber 15,8 milhões de euros de financiamento comunitário.

O projeto, que será executado entre 2026 e 2035, envolve um investimento estimado superior a 26 milhões de euros, com 60% de comparticipação de fundos europeus.

Segundo o titular da pasta da Agricultura, ainda em março será instalado um conselho de gestão do projeto, para que comece a ser implementado nas diferentes ilhas, consoante as necessidades identificadas.

“Este ano, já contemplamos uma verba regional para fazer face à verba europeia e o processo inicia-se agora com a constituição de um conselho com entidades públicas e privadas para a gestão deste projeto em todo o território”, explicou.

O roteiro da economia circular prevê a adoção de 67 medidas, distribuídas por seis áreas de intervenção: uso e gestão do solo e da água, produção florestal, produção agrícola, produção animal, indústria transformadora e intervenções transversais.

António Ventura destacou a importância deste projeto na uniformização de uma resposta para a recolha e reutilização de resíduos agrícolas.

“Os resíduos agrícolas neste momento não têm todos a mesma solução nas diferentes ilhas. Interessa uniformizar esta recolha, em parceria com as câmaras municipais, mas, essencialmente, no âmbito da economia circular, aproveitar esses resíduos agrícolas, não como produto final, mas como matéria-prima para transformação”, salientou.

Entre as soluções possíveis estão, por exemplo, a transformação de plásticos em postes ou estacas utilizadas nas explorações agrícolas e a utilização de resíduos na pavimentação de caminhos.

“É um projeto ambicioso, que virá dar resposta a um conjunto de necessidades, desde logo à questão da economia circular, muito relacionada com os resíduos agrícolas, mas também naquela que pode ser a utilização desses resíduos novamente como matéria-prima”, sublinhou o secretário da Agricultura.

O projeto envolve vários departamentos do Governo Regional e outras entidades, como associações agrícolas e empresas privadas.

“Vai envolver um conjunto de entidades, que, em cooperação e articulação, vão operacionalizar este projeto, que é ambicioso e representa um desafio, mas também representa um passo para uma mudança no âmbito da sustentabilidade e da circularidade que é preciso implementar para os nossos resíduos agrícolas”, frisou o governante.

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