Governo dos Açores está a trabalhar em alternativas para preencher vazio da Ryanair
2026-03-13 10:10:42 | Lusa

O presidente do Governo Regional dos Açores disse, quinta-feira, que o executivo está a trabalhar em alternativas de promoção para responder ao vazio deixado pela Ryanair, que anunciou que iria abandonar a região no final de março.

“Estamos a trabalhar para representar, na boa economia do mercado, soluções que, na verdade, resolvam os vazios. E que encontremos as alternativas relativamente à valorização de uma estratégia de promoção do destino turístico Açores”, afirmou o chefe do executivo açoriano, à margem de uma reunião com a mesa do Conselho de Ilha da Terceira, em Angra do Heroísmo.

Questionado sobre se houve algum retrocesso na decisão da Ryanair, quando faltam apenas algumas semanas para a data avançada pela companhia aérea de baixo custo para deixar de voar para a região, o presidente do Governo Regional disse que não falava em nome da Ryanair, nem de nenhuma outra operadora.

“O que nós temos é uma estratégia de valorização da acessibilidade aos Açores. E estamos abertos a que cada vez mais, numa economia de tendência de mercado, podermos dar abertura a todos. Temos já muitos operadores a fazerem dos Açores, enquanto distinto turístico, uma vantagem nas suas rotas. Mas, não obrigamos nenhuma empresa. E as decisões das empresas são feitas pelas próprias. E, portanto, eu não vou imiscuir-me nessa matéria”, apontou.

José Manuel Bolieiro reiterou que o executivo vai continuar a trabalhar em estratégias de promoção, mas insistiu que é preciso fazer ajustamentos de mercado.

“Tivemos verdadeiramente um impressivo domínio de resposta pós-pandémica enquanto destino turístico. E agora é natural que se assistam a alguns ajustamentos. Não podemos confiar demasiado no que diga respeito a uma eventual tendência de quebra. É preocupante. E nós devemos atender a isto para termos capacidade de resposta. E falamos em sinergia e em reflexão conjunta”, salientou.

Já o presidente do Conselho de Ilha da Terceira, Marcos Couto, defendeu que, numa economia liberalizada, os espaços vazios são sempre ocupados.

“A Ryanair saiu dos Açores, do ponto de vista efetivo há dois anos, quando reduziu a sua operação em 75% […]. Já na altura tivemos a oportunidade de dizer, e fomos provavelmente a única entidade que o fizemos, que o entendimento que tínhamos é que, numa economia em crescimento, como estava, e liberalizada, os espaços são sempre ocupados. E foi isso que aconteceu”, declarou.

Marcos Couto considerou que a saída da Ryanair dos Açores é “mais ou menos inquestionável nesta fase”, mas isso não é “dramático”.

O presidente do Conselho de Ilha da Terceira admitiu que há um “ajustamento do mercado” no turismo, que exige “alguma preocupação” e a “definição de estratégias”, mas ressalvou que “não há linhas de crescimento infinitas”.

“O que temos agora é o reajustamento, à qual estamos amplamente convictos que seguirá uma nova linha de crescimento, fruto daquilo que são as medidas que o Governo irá tomar”, sublinhou.

Os Açores registaram, em janeiro, uma redução de dormidas em alojamentos turísticos de 9,9% face ao período homólogo, sendo o quinto mês consecutivo em queda.