Federação Agrícola dos Açores contra descida do preço do leite à produção
2026-08-04 08:30:15 | Lusa
O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA), Jorge Rita, condenou a descida do preço do leite pago à produção em São Miguel anunciada pelas indústrias Insulac e Prolacto, em vigor desde sábado.
Citado em nota de imprensa, o dirigente considera que a indústria “deu mais uma machadada na produção de leite micaelense, com impacto em todo o setor leiteiro dos Açores”.
De acordo com Jorge Rita, a decisão prejudica “tanto os jovens, a quem se está a apelar que venham para o setor, como aqueles que acreditam e querem continuar a produzir, e até têm expectativa de fazer investimentos”.
"Quando reivindicamos a redução da produção de leite e a reconversão de explorações leiteiras para a produção de carne, a indústria manifesta-se contra. Agora, queixam-se da existência de excedentes de leite", afirma.
Os preços pagos à produção pela Insulac e pela Prolacto eram de, respetivamente, 40,80 e 42 cêntimos por litro. Agora, os valores baixaram para 39,40 e 40 cêntimos por litro.
O também presidente da Associação Agrícola de São Miguel refere que “o cabaz de compras está mais caro, de forma transversal, a todos os produtos”, enquanto os produtores são confrontados com uma descida do preço do leite, e “já nem a sociedade em geral acredita nas indústrias de laticínios”.
O dirigente estranha esta nova descida do preço do leite em São Miguel, quando a indústria revela investimentos, citando o exemplo da Prolato, que “anunciou recentemente que vai ter um produto novo associado ao verde e à pastagem”. Além disso, “a Insulac tem um grande projeto para concretizar”, diz, referindo-se à modernização da fábrica.
“Vamos aguardar o que a Bel e a Unileite vão fazer”, afirma.
O dirigente considera que “a situação do mercado dos produtos lácteos já foi mais desfavorável, pelo que a expectativa era de melhoria, sobretudo numa altura em que a produção de leite tende a diminuir e a cotação de alguns produtos tem vindo a melhorar”.