Bolieiro quer unir o PSD/Açores e criar uma "autonomia de responsabilização"
2019-11-27 09:07:22 | Lusa

O candidato à liderança do PSD/Açores José Manuel Bolieiro comprometeu-se a unir e a credibilizar o partido, alegando que os Açores necessitam de um novo ciclo e de uma “autonomia de responsabilização”.

“Queremos recuperar a confiança na política, confiança no bom funcionamento da democracia, na alternância democrática, nas oportunidades de desenvolvimento”, afirmou José Manuel Bolieiro, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, na apresentação da sua moção de estratégia global, que tem precisamente “Confiança” como tema.

O Conselho Regional do PSD/Açores marcou no fim de outubro eleições internas no partido para 14 de dezembro e um congresso regional para 17, 18 e 19 de janeiro.

Os sociais-democratas têm até sexta-feira para apresentarem candidaturas à liderança do partido, mas por enquanto é conhecida apenas a candidatura do atual presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada.

Dividida em três pontos - “Uma cultura de político e de política”, “Nova cultura de autonomia e de Governo” e “Servir a democracia” -, a moção de José Manuel Bolieiro defende uma “verdadeira aposta no desenvolvimento de uma democracia de cidadania, cada vez mais plural e participada” e a inauguração de uma “autonomia de responsabilização”.

“Não há assuntos só da região ou assuntos só do Estado, quando o que interessa é o desenvolvimento dos Açores. A autonomia tem de ter sempre uma palavra a dizer. A opção tem de ser a da corresponsabilização”, salientou o candidato.

Em Angra do Heroísmo, acompanhado pelo histórico social-democrata José Guilherme Reis Leite, mas também por uma militante mais nova, um representante dos empresários e um dos sindicatos, Boleiro disse querer um partido interclassista, “que una geografias e que reúna gerações”.

“Para mim, o PSD/Açores tem uma sede, mas esta sede não são quatro paredes, são os Açores”, frisou.

Entre as propostas defendidas por José Manuel Bolieiro está a dotação de “condições inequívocas de operacionalidade” ao Conselho Económico e Social dos Açores, que deverá ter “uma estrutura profissional” e a “gestão o Serviço Regional de Estatística”.

“É indispensável uma estatística regional cada vez mais detalhada, abrangente e independente”, apontou.

O candidato à liderança do PSD/Açores defendeu ainda o reforço da sustentabilidade e da liberdade da comunicação social privada e pública.

“Propomos triplicar os atuais valores de apoios regionais aos jornais e às rádios, mas com critérios de legalidade objetivos e escrutináveis, sem controlo do Governo e sob atribuição do parlamento”, avançou, acrescentando que “importa articular e partilhar entre a região e a República a responsabilidade pelo reforço de meios para a RTP/Açores e para a agência Lusa”, de modo a que seja salvaguardada a sua independência.

A cooperação estratégica com municípios e freguesias é outra das apostas de José Manuel Bolieiro, que pretende definir previamente em cada Orçamento da Região a dotação de meios financeiros de investimento para cada município e freguesia, “baseados em critérios objetivos e equitativos, transparentes e escrutináveis”.

“Mais do que criar novos cargos políticos e de Governo, importa potenciar o que já existe e funciona com a inequívoca legitimidade democrática e com capacidade já instalada de ação”, adiantou, sublinhando que, “apostar no poder local, é ganhar coesão social e territorial para derrotar a desigualdade e o despovoamento”.

A um ano das eleições legislativas regionais nos Açores, o candidato à liderança do PSD não se comprometeu com um resultado.

“O povo dirá. É óbvio que para o desenvolvimento de um trabalho mais planificado, mais presente, mais tempo é melhor do que menos tempo, mas nós trataremos de tudo fazer para que mais do que a quantidade e o calendário conte a qualidade da comunicação, a qualidade da afirmação dos valores e das causas e da postura política que queremos emprestar à democracia autonómica dos Açores, ao debate político e à relação com a cidadania, com a comunicação social e com as instituições que fazem a democracia e a Autonomia dos Açores”, disse.

Questionado sobre a sua permanência na Câmara Municipal de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro admitiu que a liderança da autarquia não será compatível com a liderança do partido, mas não avançou com uma data para suspender o mandato.

“Haverá um tempo em que não [será] razoável acumular, porque eu não sou, nunca me afirmei como tal, um herói capaz de tudo e de estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Não é para mim um tabu ter de afirmar, porque é um facto e uma verdade e eu assumo com honra, que haverá um período em que a minha dedicação será total para a afirmação da alternativa que o PSD/Açores quer representar para as legislativas regionais de 2020”, justificou.


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